7# ECONOMIA E NEGCIOS 29.1.14

     7#1 DILMA CONTRA O MAU HUMOR
     7#2 COMO COMPRAR NO EXTERIOR

7#1 DILMA CONTRA O MAU HUMOR 
A presidenta segue os passos de Lula e vai pela primeira vez ao Frum Econmico Mundial de Davos para tentar dissipar as desconfianas do mercado externo em relao ao Brasil
Luisa Purchio

Depois de um ano de muita desconfiana com a conduta da poltica econmica e de mais um resultado do PIB abaixo do esperado, a presidenta Dilma Rousseff decidiu, pela primeira vez desde que tomou posse, encarar frente a frente os maiores lderes empresariais do mundo para iniciar uma espcie de cruzada contra o mau humor dos mercados em relao ao Brasil. Acompanhada de toda a sua equipe econmica, entre eles o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, Dilma foi at a Sua para participar do Frum Econmico Mundial, que ocorre todos os anos na simptica Davos, nos Alpes.

ESTREIA - Em Davos pela primeira vez, Dilma falou para mais de 1,5 mil lderes
 mundiais e teve encontros reservados com empresrios

No discurso de cerca de 30 minutos que fez na sexta-feira 24 para uma plateia de mais de 1,5 mil dos mais importantes empresrios, financistas e investidores do planeta, a presidenta fez questo de reforar o compromisso brasileiro com os investidores que esto dispostos a apostar no Brasil e dissipar as desconfianas de que o Pas no anda assim to hospitaleiro com o capital externo. O Brasil  hoje uma das mais amplas fronteiras de oportunidades de negcios. Sempre recebemos bem o investimento externo. Meu governo adotou medidas para facilitar ainda mais essa relao. O Brasil precisa e quer a parceria com o investimento privado nacional e externo, disse a presidenta.

Apesar de sempre ter reafirmado que busca parcerias entre o capital privado e o poder pblico, o discurso de Dilma marca uma nova fase de seu governo na relao com o mercado. At agora, ela relutava em fazer movimentos to amplos e explcitos para convencer o empresariado, em especial o estrangeiro, de que o Brasil  um pas aberto, pronto para receber quem quiser investir por aqui.

REFORO - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini (acima), e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, acompanharam a presidenta na viagem  Sua

A ida a Davos  um exemplo claro disso. Ao contrrio de Lula, que logo no primeiro ano de governo visitou o Frum, Dilma s decidiu cruzar o Atlntico para encontrar os maiores investidores mundiais em seu ltimo ano de mandato. Dilma quer mostrar que no  uma pessoa antiempresa, diz Paulo Roberto Feldmann, professor de economia da USP. A presidenta fez isso e no se absteve de tocar em temas delicados para seu governo, como os repetidos resultados tmidos do PIB. Aspectos da conjuntura recente no devem obscurecer essa realidade, disse, em relao s possibilidades de investimento e crescimento do Brasil.

"O Brasil  hoje uma das mais amplas fronteiras de oportunidades de negcios, e queremos o setor privado como parceiro" - Dilma Rousseff

Precisamos mostrar as oportunidades que existem no Brasil. Temos gargalos claros, que representam opotunidades reais de investimento, disse  ISTO Marcelo Neri, ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratgicos (SAE) da Presidncia da Repblica e presidente do Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada (Ipea), que tambm acompanhou a comitiva brasileira a Davos. Neri v excesso de otimismo da populao e pessimismo exagerado dos empresrios.

ENCONTRO - O Frum Mundial de Davos concentra as maiores lideranas empresariais do mundo na pequena cidade dos Alpes Suos

A viagem de Dilma a Davos , de certa forma, a continuao de um movimento de aproximao com o empresariado que j vinha ocorrendo no Brasil. E que, lentamente, parece estar dissipando as desconfianas do setor privado. A presidenta Dilma tem conscincia de que estamos vivendo num mundo em que o Brasil precisa ser eficiente para disputar investimentos. E o Brasil tem um projeto de Pas para apresentar, afirmou  ISTO Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Bradesco, quarto maior banco do Brasil em ativos, que tambm esteve em Davos para o Frum econmico Mundial.

O setor privado internacional, por sua vez, parece ter gostado do que ouviu. Uma srie de grandes empresrios e investidores pediram encontros reservados com a presidenta e com os outros integrantes da equipe econmica. Ningum quer ficar fora do Brasil. Temos muitas possibilidades, como extenso territorial, populao, democracia, estrutura jurdica e poltica consolidada, disse Trabuco. Em entrevista coletiva, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, apresentou a otimista previso de que a taxa de investimento do Brasil pode se aproximar de 24% do Produto Interno Bruto (PIB), em vez dos atuais 19%. O setor privado, em parceria com o governo, dever implementar centenas de bilhes de dlares em investimentos no Pas. So praticamente os setores importantes da economia, como petrleo e gs, energia, rodovias, ferrovias e aeroportos, disse.


7#2 COMO COMPRAR NO EXTERIOR
Aps aumento do IOF, procura de moeda estrangeira no carto pr-pago em 2014 deve cair 63%. Agora, antes de viajar, o consumidor deve se planejar melhor e s ento decidir como gastar
por Luisa Purchio

Os brasileiros que planejavam viagens ao Exterior tiveram que redobrar a ateno aps o aumento do Imposto sobre Operaes Financeiras (IOF). Com a medida, fazer saques de moeda estrangeira, realizar carregamento de cartes pr-pagos e utilizar cheques de viagem no Exterior ficou mais caro. Antes, o IOF sobre essas operaes era de 0,38% e, apenas no carto de crdito, a incidncia era de 6,38%. Agora, todas elas so taxadas em 6,38%. As consequncias da mudana j so sentidas pelas operadoras de cmbio. Em 2014, elas esperam vender 63% a menos no carto pr-pago, em relao ao ano passado. Para o consumidor, ter de transportar os valores em papel  menos seguro. Para o setor tambm  ruim, pois investimos muito em cartes pr-pagos, afirma Tlio Ferreira dos Santos Jnior, presidente da Abracam, associao que representa 93% das corretoras de cmbio do Brasil. A melhor opo de pagamento no Exterior, no entanto, depende do perfil de cada consumidor.

